O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/90) é, há mais de três décadas, o pilar da proteção infantojuvenil no Brasil. Mas como esses direitos, concebidos em uma era pré-internet, se aplicam ao mundo atual, dominado por redes sociais, jogos online e “influenciadores mirins”?
A resposta está no conceito que chamamos de “ECA Digital”: a evolução e aplicação dos princípios do estatuto aos desafios do ambiente online. No escritório Bantim Advogados, vamos explicar como essa proteção funciona na prática.
Os princípios do ECA que continuam valendo na internet
O ambiente pode ter mudado, mas a base da proteção é a mesma. O Artigo 5º do ECA é claro: “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. A exploração que ocorre por trás de uma tela é tão ou mais grave do que a que acontece fora dela.
O direito à dignidade, ao respeito e à liberdade, garantidos pela Constituição Federal (Art. 227) e detalhados no ECA, são atemporais e se aplicam integralmente à vida digital das crianças.

O que é o conceito de “ECA Digital”?
O “ECA Digital” não é uma única lei nova, mas sim o conjunto de normas que formam o escudo de proteção da criança no ambiente online. Ele é composto pela aplicação dos princípios do ECA original, complementado por legislações mais recentes, como:
- O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), que estabelece direitos e deveres para o uso da internet no Brasil.
- A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018), que trata com especial atenção os dados de crianças.
- E, mais recentemente, a Lei nº 15.211/2025 (conhecida como “Lei Felca” ou “Estatuto Digital da Criança e do Adolescente”), que regulamenta a exploração comercial da imagem infantil na internet.
Adultização: um desafio moderno para o ECA Digital
Um dos maiores exemplos da necessidade dessa evolução é a adultização infantil. O fenômeno de “mini-influencers” que são expostos a rotinas de trabalho, pressões estéticas e conteúdos impróprios viola diretamente o direito à integridade psíquica e moral, protegido pelo Art. 17 do ECA.
Foi para combater especificamente esse problema que a “Lei Felca” foi criada, tornando as regras do ECA mais claras e aplicáveis para punir a exploração comercial e a adultização de crianças em plataformas digitais.
Quais são os principais pontos do ECA Digital na prática?
- Direito à Imagem e Privacidade: A exposição excessiva e a publicação de imagens da criança sem o devido cuidado com sua privacidade são violações. Os pais têm o dever de proteger a imagem dos filhos.
- Proteção Contra a Exploração Comercial: O ECA proíbe o trabalho infantil. O “ECA Digital”, fortalecido pela nova “Lei Felca”, regulamenta a atividade comercial de crianças na internet, estabelecendo limites e garantindo que não se configure exploração.
- Segurança e Proteção Contra Violência: O dever de proteção se estende ao combate ao cyberbullying, ao assédio e à exposição a conteúdos violentos ou pornográficos.
Conclusão: os mesmos direitos, um novo mundo
O “ECA Digital” nos mostra que os direitos fundamentais das crianças não têm fronteiras. A proteção garantida em 1990 evoluiu para acompanhar as novas tecnologias, assegurando que a dignidade e o desenvolvimento saudável da criança e do adolescente sejam a prioridade máxima, seja na vida real ou na virtual.
Entender como essas leis se conectam é fundamental para pais, responsáveis e empresas. Se você tem dúvidas sobre a proteção dos direitos do seu filho no ambiente online, a orientação de um advogado é indispensável. A equipe da Bantim Advogados é especialista em Direito de Família e está atualizada sobre as mais recentes legislações para proteger quem você mais ama.
FAQ: Perguntas Frequentes
Existe uma lei chamada “ECA Digital”?
Não como um documento único. “ECA Digital” é um conceito que representa a aplicação dos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente ao ambiente online, em conjunto com leis mais recentes como o Marco Civil da Internet e a “Lei Felca” (Lei 15.211/2025).
O ECA original (de 1990) ainda vale para a internet?
Sim, absolutamente. Seus princípios de proteção à dignidade, imagem, privacidade e contra a exploração são a base legal para defender os direitos das crianças em qualquer ambiente, incluindo o digital.
Como o ECA Digital protege meu filho do cyberbullying?
O ECA garante o direito ao respeito e à dignidade (Art. 17). O cyberbullying é uma violação direta desses direitos. Com base no estatuto e no Código Civil, os responsáveis pelo agressor podem ser obrigados a reparar os danos morais e psicológicos causados à vítima.
A Lei Felca substitui o ECA na internet?
Não, ela não substitui. A “Lei Felca” (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente) funciona como uma lei especial, que complementa e detalha a aplicação do ECA no ambiente digital, principalmente no que diz respeito à exploração comercial e à adultização. O ECA continua sendo a lei geral e principal de proteção.











