O Instagram deixou de ser apenas uma rede social para se tornar um dos principais canais de venda de produtos e serviços no Brasil. Empresas de todos os portes e ramos, influenciadores digitais e até pequenos empreendedores utilizam a plataforma diariamente para divulgar ofertas, lançar produtos e atrair consumidores.
É fato que o ambiente do online, do imediatismo, deu espaço para milhares de negócios, mas isso também fez com que também abrisse portas para os casos de propaganda enganosa.
Promessas irreais, imagens que não correspondem ao produto entregue, principalmente com as Inteligências Artificiais sendo muito usadas, falsas promoções e omissão de informações importantes são apenas alguns exemplos de práticas que podem causar prejuízos aos consumidores.
O que muitas pessoas não sabem é que essas situações são regulamentadas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que estabelece regras claras sobre a publicidade e prevê mecanismos para proteger quem foi induzido ao erro.
O que caracteriza uma propaganda enganosa?
O Código de Defesa do Consumidor determina que toda publicidade deve ser clara, verdadeira e suficiente para que o consumidor tome sua decisão de compra de forma consciente.
A propaganda enganosa ocorre quando o anúncio apresenta informações falsas ou omite dados essenciais capazes de induzir o consumidor ao erro. Isso significa que nem sempre é necessário haver uma mentira explícita para que a prática seja considerada ilícita, a omissão de informações relevantes já é suficiente.
No ambiente digital, esse tipo de publicidade pode aparecer de diversas formas. É comum encontrar anúncios que utilizam fotografias excessivamente editadas, promessas de resultados sem qualquer comprovação, descontos fictícios, informações incompletas sobre preços ou condições de pagamento e até publicações patrocinadas que não deixam claro seu caráter publicitário.
Independentemente do formato utilizado, o princípio é o mesmo: o consumidor tem direito à informação adequada, transparente e verdadeira antes de contratar qualquer produto ou serviço.
Como a propaganda enganosa acontece no Instagram?
As redes sociais modificaram profundamente a relação entre consumidores e fornecedores. No Instagram, a compra costuma acontecer de maneira rápida e impulsiva, muitas vezes influenciada por vídeos, stories, anúncios patrocinados e recomendações de criadores de conteúdo, em 2026 a IA tem participado muito disso tudo também.
Essa dinâmica favorece o surgimento de práticas abusivas.
Entre as situações mais frequentes estão a divulgação de produtos com características diferentes das efetivamente entregues, promessas de emagrecimento ou tratamentos estéticos sem comprovação científica, anúncios de cursos com resultados garantidos, falsas promoções relâmpago e ofertas com preços atrativos que escondem taxas ou condições relevantes.
Também é cada vez mais comum que empresas utilizem influenciadores digitais para promover produtos sem informar claramente que aquela publicação possui natureza publicitária.
Além disso, golpes envolvendo perfis falsos, anúncios patrocinados fraudulentos e lojas inexistentes continuam crescendo. Embora essas situações também possam envolver crimes, elas frequentemente geram discussões sobre a responsabilidade civil dos fornecedores e das plataformas envolvidas.

Quem pode ser responsabilizado pelos prejuízos?
Uma dúvida bastante comum é se apenas a empresa que vende o produto pode responder pelos danos causados, e, na prática, a responsabilidade pode alcançar diferentes participantes da relação de consumo, dependendo das circunstâncias de cada caso.
O fornecedor continua sendo o principal responsável pelas informações divulgadas em seus anúncios. Afinal, é ele quem coloca o produto ou serviço no mercado e deve garantir que toda publicidade seja compatível com a realidade.
Entretanto, influenciadores digitais também podem responder quando participam ativamente da divulgação de informações falsas, exageradas ou capazes de induzir o consumidor ao erro, especialmente quando possuem conhecimento da campanha publicitária e se beneficiam economicamente dela.
Os tribunais brasileiros têm analisado cada situação de forma individual, levando em consideração fatores como o grau de participação do influenciador, sua relação com a empresa anunciante e a confiança transmitida ao público.
Por isso, não existe uma regra única para todos os casos. A responsabilidade dependerá da análise das provas produzidas e das circunstâncias específicas da publicidade realizada.
Quais são os direitos do consumidor e como buscar a reparação?
Quando a propaganda enganosa leva o consumidor a realizar uma compra ou contratar um serviço, diversos direitos podem ser exercidos.
Dependendo do caso concreto, é possível exigir o cumprimento da oferta exatamente como foi anunciada, solicitar a devolução dos valores pagos, rescindir o contrato ou buscar a reparação pelos prejuízos.
Se houver perdas financeiras decorrentes da publicidade enganosa, como despesas adicionais, pagamento por um produto diferente do anunciado ou contratação de um serviço que não corresponde ao prometido, o consumidor poderá pleitear indenização por danos materiais.
Em determinadas situações, também poderá haver direito à indenização por danos morais, principalmente quando o problema ultrapassa o mero aborrecimento e provoca constrangimentos, exposição indevida, prejuízos relevantes ou outros impactos significativos na esfera pessoal do consumidor.
Para fortalecer eventual pedido administrativo ou judicial, é importante reunir todas as provas disponíveis. como capturas de tela dos anúncios, stories, vídeos promocionais, conversas mantidas pelo direct ou WhatsApp, comprovantes de pagamento, notas fiscais, e-mails e demais documentos relacionados à contratação podem ser fundamentais para demonstrar que a oferta divulgada não correspondia à realidade.
Por que contar com orientação jurídica especializada?
Embora o Código de Defesa do Consumidor ofereça ampla proteção ao consumidor, nem sempre é simples identificar quais direitos podem ser exercidos em cada situação.
Casos envolvendo publicidade digital costumam exigir análise detalhada das provas, da forma como a campanha foi divulgada e da responsabilidade de cada participante da relação de consumo.
Além disso, muitas empresas negam inicialmente qualquer responsabilidade, atribuindo o problema ao consumidor ou alegando que a publicidade foi apenas ilustrativa.
Uma assessoria jurídica especializada poderá verificar se houve violação ao Código de Defesa do Consumidor, orientar sobre a documentação necessária, conduzir negociações e, quando necessário, ajuizar a ação cabível para buscar a reparação integral dos prejuízos.
Se você acredita ter sido vítima de propaganda enganosa no Instagram, entre em contato com a nossa equipe para proteger seus interesses.
FAQ
O que caracteriza uma propaganda enganosa no Instagram?
É toda publicidade que apresenta informações falsas ou omite dados importantes, levando o consumidor a tomar uma decisão de compra baseada em erro ou expectativa criada pelo anúncio.
O influenciador digital também pode ser responsabilizado?
Sim. Dependendo da sua participação na divulgação e das circunstâncias do caso, o influenciador pode responder juntamente com a empresa pelos prejuízos causados ao consumidor.
Quais provas devo guardar se fui vítima de propaganda enganosa?
Guarde prints dos anúncios, stories, vídeos, conversas, comprovantes de pagamento, notas fiscais, e-mails e qualquer documento que demonstre a oferta e o prejuízo sofrido.
Posso pedir indenização por propaganda enganosa?
Sim. Além de exigir o cumprimento da oferta ou a devolução dos valores pagos, o consumidor poderá pleitear indenização por danos materiais e, quando presentes os requisitos legais, também por danos morais.














